sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mudanças

Estou na beira de um precipício, acoplado em uma asa-delta. Defronte a mim, apenas o horizonte. Este representa o novo; o que há por vir; futuro. Atrás, apenas há o passado. Eu represento o presente. E no presente momento, uma decisão: pulo ou não? Se pular, o passado não mais voltará. E se ficar, viverei neste presente, observando o futuro que eu poderia alcançar, sem nada mais poder fazer...

Almejo.
Saltar-irei...
Alcançar-irei...
Chegar-irei.
Olhar-irei para a montanha atrás de mim.
Não enxergá-la-irei, pela minha distância.
Mas eu sei que ela lá continuará para sempre,
E que eu nunca mais nela pisar-irei.
Pois irei no futuro. Ei no passado.

Almejei. Saltei. Alcancei. Cheguei.
E no final a morte. Já disse Agatha.

T.B.H.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Carta Mórbida, por mim.

"Juiz de fora, 20 de Setembro de 2010, 18:12

Pense na morte, caro leitor. Veja-a como uma coisa boa; como a libertação do seu espírito perante o seu corpo; como o fim de todos os problemas; como o auge da sua vida. Eu disse “pense”, e não “sinta”. Pois se você sentir a morte, não a sua, óbvio, mas a de um ente querido, você vai sofrer. E o seu coração vai virar o seu cérebro. E você pensará com ele. Pensará na morte como a vilã.
E, no momento, o caro escritor pensa com o coração. Muitos em sua volta fazem o mesmo, com o coração apertado pela perda de uma jovem pessoa de mesma idade. Os mais velhos que estão em sua volta, fazem o mesmo por pensarem na injustiça que se é viver mais do que o outro. Não é verdade? É totalmente antinatural, se é que a palavra existe. Mais velhos primeiros, primeiro a avó, depois o pai, e então o filho. Claro, já que ninguém é pai da própria mãe.
Pra quê vivemos, se no final haveremos de morrer? “Não tem explicação”, já diria a falecida e saudosa Cássia Eller. Há vida após a morte? Às vezes o autor diz que não, quando o seu ceticismo fala mais alto. Como uma lâmpada que vai de encontro ao chão, espatifa-se e queima é um corpo. Sem mais utilidade, estragado, pronto para ser jogado ao lixo (humano) subterrâneo.
O tal escritor já disse tudo o que precisava para expressar o seu sentimento, e você se perguntará: “E o final?” Mas sou eu quem vos faço tal pergunta: E o final?

Só digo, com lágrimas no coração e um aperto nos olhos: Para os mortos, terra. Para os vivos, frente."
T.B.H.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Decassílabos Brancos

"Coração em brasa, a flecha feriu.
Vejo-me apaixonado por ti, mas
Pelo certo amor já estou possuído.
O que fazer: a dúvida ou a certeza?"

Por T.B.H.