terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Sinopse (2)

Estou em um lugar escuro. Um nada, um vazio. Sinto muita dor. Meu peito dói a cada inspiração, o oxigênio é suave e puro. Não me mexo e não enxergo nada, parece que estou enterrado sob toneladas de concreto.
Vejo algo! Distante, no horizonte inexistente do vazio. Vem voando... parece um cavalo, branco como o sol, e voa. Em minha direção, rápido, rápido, muito rápido!

AAAAAAAAAAH!!!!!

Acordo com meu próprio grito. Estou amarrado a muitos cabos, sons uniformes vão aumentando sua intensidade a minha volta. Estou preso pelos cabos e imóvel por muito gesso em volta dos meus braços, pernas e tórax. Há uma grade atravessando profissionalmente a minha perna. Todo o meu corpo dói ainda mais enquanto grito. Meus olhos choram sem meu comando. Minha cabeça implode, respiro chamas que ardem meu peito e meus ossos se trituram. Antes de reparar todos esses detalhes e até mesmo de acabar o meu fôlego, dois enfermeiros entram por uma porta que estava fora da minha visão.

Sim, estou em um hospital. E antes de tentar dizer a eles o tamanho da minha dor, eles me adormecem com uma injeção que nem sinto. No começo e agora, estou preso na imensidão vazia do meu pensamento. Limito-me à minha matéria que se dilacera em dor. Não sou capaz de lutar e muito menos de vencer essa dor. Não sou capaz de saber quem sou.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Bala

A bala o acertou na costela inferior do seu lado esquerdo. A força causada pelo impacto fez seu corpo girar poucos graus em sentido anti-horário. Algumas terminações nervosas foram ativadas e seu abdômen, no mesmo lado do ferimento, se encurvou. Outras terminações fora desativadas e ele caiu no chão em uma posição muito desconfortável, no horizonte inferior da parede. Não sentia nada além da forte queimação e do líquido quente e viscoso que escorria na sua mão direita, numa inútil tentativa de fechar aquele buraco.

Não teve a oportunidade de ver quem lhe disparou a morte, mas o passado já não importava mais. Sua vida estava se esvaindo pela sua mão naquele momento. Aquele era o momento o qual ele mais se sentiu no presente. Não havia memórias, nem ansiedades. Nem passado, nem futuro. Era ali, agora. Sua dor fazia existir cada milésimo.

Quem lhe deu este presente tão intenso e vívido? Nunca saberia, mas agradeceu. Realizou que o presente é o que mais importa na vida. Mesmo quase sem vida.

Desmaiou de tanta dor, com a certeza de que tudo ia ficar bem e poderia aproveitar todos os próximos presentes que a vida lhe daria.

Nunca mais abriu os olhos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Até o rever.


Me venço pelo cansaço. Hoje, me rendo à terceira geração do Romantismo. Após uma (in)evolução de algumas semanas, me transporto no tempo e no espaço do deprimido e reprimido para o realista. Está certo, não terei o que quero. Só não perderei mais tempo idealizando e construindo roteiros em minha mente que nunca serão encenados pela falta de oportunidade de dirigir a vida. Não deixo de ter sentimentos, não me torno objetivista. Ao invés, me transbordo desses que só eu posso sentir. Mas guardarei-os em excesso para quando a realidade não for mais só minha. Interpretarei um meio-termo que habita em mim.

sábado, 14 de julho de 2012

Me prendi na vontade de não me prender.
Sou livre na liberdade de sentir
Mas preso no sentimento.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Medo

Eu nunca pedi pra 'você' aparecer.
Eu mandei ir embora
Rude
Repugnante
Triste.

Consegui!
Nunca mais voltou
Mas o nunca mais
Acabou.

NÃO!
Fique
Fique onde está
Longe
Não se aproxime

Eu. Não vou. Deixar.