quarta-feira, 9 de março de 2011

Natureza Morta

Deparei-me com a natureza. Lá estava ela, no meio da cidade do Rio de Janeiro. Ou será que a cidade é quem está no meio da natureza? Não sei. Apenas sei que a natureza é que se fez. A natureza é autossuficiente. Não precisou nem de Deus para nascer. Só precisou dela mesma...
Enorme.
Gigantesca.
Onipresente.
Lá estava ela, abissalmente gigantesca. E lá estava eu, no alto de uma montanha, observando a fusão de natureza e cidade. De natureza e homem. Sim, de homem. Já não fazemos mais parte da natureza. Ela nos pariu, mas nós a renegamos. Tentamos nos criar, nos educar. Desastre?
Não soube nem dizer se as lágrimas que escorriam de meus olhos eram um reflexo das que escorriam em meu coração ou se era um mero efeito do vento fresco que lhes batia.
Tive vontade de ficar nu. Deitar na grama, subir em uma árvore. Nu. Completamente nu. Sem vergonha de meus pelos e de meu sexo. Onde houvesse seres humanos com a mesma vontade: nus, sem vergonha. Onde o sexo não fosse prazer e sim reprodução. Sem ódio, nem amor. Apenas um dia. Ou menos, uma hora.
Apenas sentir-me por uma hora como seria ser eu um milhão de anos atrás.
"Se eu fosse eu", disse Lispector. Seria parte da natureza, responderia.
Queria que a natureza me engolisse. Queria ser parte dela, ou ela ser parte de mim.

Vou ser enterrado nu.

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