Estou em um lugar escuro. Um nada, um vazio. Sinto muita dor. Meu peito dói a cada inspiração, o oxigênio é suave e puro. Não me mexo e não enxergo nada, parece que estou enterrado sob toneladas de concreto.
Vejo algo! Distante, no horizonte inexistente do vazio. Vem voando... parece um cavalo, branco como o sol, e voa. Em minha direção, rápido, rápido, muito rápido!
AAAAAAAAAAH!!!!!
Acordo com meu próprio grito. Estou amarrado a muitos cabos, sons uniformes vão aumentando sua intensidade a minha volta. Estou preso pelos cabos e imóvel por muito gesso em volta dos meus braços, pernas e tórax. Há uma grade atravessando profissionalmente a minha perna. Todo o meu corpo dói ainda mais enquanto grito. Meus olhos choram sem meu comando. Minha cabeça implode, respiro chamas que ardem meu peito e meus ossos se trituram. Antes de reparar todos esses detalhes e até mesmo de acabar o meu fôlego, dois enfermeiros entram por uma porta que estava fora da minha visão.
Sim, estou em um hospital. E antes de tentar dizer a eles o tamanho da minha dor, eles me adormecem com uma injeção que nem sinto. No começo e agora, estou preso na imensidão vazia do meu pensamento. Limito-me à minha matéria que se dilacera em dor. Não sou capaz de lutar e muito menos de vencer essa dor. Não sou capaz de saber quem sou.
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