quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Bala

A bala o acertou na costela inferior do seu lado esquerdo. A força causada pelo impacto fez seu corpo girar poucos graus em sentido anti-horário. Algumas terminações nervosas foram ativadas e seu abdômen, no mesmo lado do ferimento, se encurvou. Outras terminações fora desativadas e ele caiu no chão em uma posição muito desconfortável, no horizonte inferior da parede. Não sentia nada além da forte queimação e do líquido quente e viscoso que escorria na sua mão direita, numa inútil tentativa de fechar aquele buraco.

Não teve a oportunidade de ver quem lhe disparou a morte, mas o passado já não importava mais. Sua vida estava se esvaindo pela sua mão naquele momento. Aquele era o momento o qual ele mais se sentiu no presente. Não havia memórias, nem ansiedades. Nem passado, nem futuro. Era ali, agora. Sua dor fazia existir cada milésimo.

Quem lhe deu este presente tão intenso e vívido? Nunca saberia, mas agradeceu. Realizou que o presente é o que mais importa na vida. Mesmo quase sem vida.

Desmaiou de tanta dor, com a certeza de que tudo ia ficar bem e poderia aproveitar todos os próximos presentes que a vida lhe daria.

Nunca mais abriu os olhos.

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